Não compre, adote!

Este é o Yoshi, "minha foca pêta"!

Este é o Yoshi, “minha foca pêta”!

Desde pequena eu gosto de animais, os grandes, pequenos, mamíferos, aves, repteis… mas sempre fui louca por cachorros, em especial os de rua que me encantam. Eu me perguntava como seria a vida deles, como se alimentavam, onde dormiam, se alguém os ajudava. Nas noites chuvosas de inverno eu sentia pena, pois sabia que estavam na rua, sem abrigo, roupas e uma cama quente. Já no verão a preocupação era com o calor excessivo, água fresca e a falta de abrigo.

No bairro em que eu cresci haviam muitos cães nas ruas, lembro em especial da Preta, uma típica SRD, pêlo preto com uma mancha branca no peito e aquele jeito sapeca de uma viralata. Preta tinha fama de ser louca e má por atacar as pessoas “sem motivo”. Ninguém ou quase ninguém percebia que o problema dela era com os homens, se algum se aproximasse ela atacava. Para piorar alguns revidavam com uma pedrada. Certamente ela foi agredida e ficou traumatizada, reação natural de qualquer ser vivo.

Preta era vulnerável, por viver na rua convivia com todo o tipo de gente. A única forma de defesa era atacar para não ser atacada. Eu queria conhecer a Preta, tentar uma aproximação, mas sentia medo por tudo o que falavam. Lembro que minha mãe dizia: “a Preta morde! Cachorros têm uma doença chamada raiva, não toque neles!” Nunca me aproximei ou fiz um carinho, apenas chamava e ela abanava o seu “toco de rabo” em retribuição.

Alguns anos depois, uma vizinha comprou um cachorro de “raça” e com pedigree, estava orgulhosa por ter gastado uma fortuna naquele “brinquedo”. Sim, brinquedo! A pessoa não tinha noção de como cuidar de um cachorro e das suas necessidades básicas, alimentação adequada, higiene, passeios, vacinas. Spike era um cachorrão, porte grande, peludo daquelas raças criadas em laboratório para lugares com temperaturas negativas. Ele ficava preso o dia inteiro num apartamento minúsculo em pleno verão porto alegrense que facilmente chega aos 40ºc.

Inevitável não lembrar da Preta e de seus amigos. Há milhares de cães nas ruas (e nos abrigos) esperando por um lar. Por que as pessoas compram uma vida como se fosse um objeto e pagam caro por isso? Essa é uma das coisas que eu nunca vou entender. Será que eles têm menos valor do que um bicho comprado? Adotar não tem preço e o amor é incondicional.

Sigo a campanha: “Não compre, adote!”

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