A polêmica dos Pitbulls “assassinos”, até quando?

Acontece com cada vez mais frequência a exposição na mídia de casos de “agressão” de cães da raça pitbull contra humanos. Os cães já foram condenados: raça maldita, cachorro desgraçado, se houve de tudo, até já foram considerados “arma letal”. E o (des)serviço mediático é quase unânime, compactuam com essa ignorância que tem se generalizado e complicado mais a vida desses animais, e dos protetores que (no fim de tudo) acabam com eles nas suas casas.

Pois bem, esse texto tem como objetivo INFORMAR detalhes desses casos envolvendo ataque dos cães, o que praticamente não está sendo feito, e acaba por levantar suspeitas sobre raças de cachorros. Para isso, vou usar como exemplo o caso do menino de 4 anos, de Guaíba-RS, vítima recente dessa ignorância e irresponsabilidade que é manter cachorros de grande porte confinados e mau tratados. Sim! A culpa não é do cachorro.

Veja um dado não destacado nos tele jornais, websites noticiosos e textão do facebook daquele seu amigo cheio de opinião sobre tudo: os animais ficavam presos em cubículos minúsculos e totalmente inadequados, e o “pátio” da casa também é pequeno, caso alguém queira argumentar que eles eram soltos “eventualmente”.

maus-tratos-pitbull maus-tratos-pitbull-3 maus-tratos-pitbull-4pitbulls-maus-tratos

No caso ocorrido dias antes em Canoas-RS, em que uma idosa foi morta pelo cachorro, a situação era ainda mais evidente: vizinhos denunciaram os maus tratos, a família tinha uma arma de choque (possivelmente usada para “controlar” o cão) e a senhora foi encontrada com um cabo de vassoura nas mãos. Ou seja, ele estava sendo mau tratado.

A questão nesses casos vai além das raças, mas a mídia adora estigmatizar um tipo (talvez gere mais manchetes, vai saber). Nos anos 80 a moda era falar do doberman, nos anos 90 foram os rottweilers, a bola da vez são os pitbulls. Há dois pontos em comum a essas raças: moda e porte.

A cultura de compra/venda de cães coloca algumas raças em evidência, que logo viram moda. A proliferação desses animais irresponsável e indiscriminadamente óbvio, dá problema. Um animal grande cai nas mãos de pessoas que não têm estrutura para cuidar adequadamente dos bichos, eles desenvolvem comportamento agressivo, que é ignorado (alguns adoram bicho brabo pra cuidar do pátio), e acaba nessas tragédias. O bicho não se exercita, não vê pessoas, não socializa com outros animais, o que de bom pode sair de uma situação dessas?

Em outros casos, eles são escolhidos pelo comportamento dito agressivo, e são estimulados a serem feras (porque o humano quer exibir o seu poder ao lado de um cachorro brabo, da moda). Esses “treinamentos” por si só já são perigosos, mas alguns vão além, provocam os cachorros com ferimentos, o bicho sente-se ameaçado, que precisa se defender, aprende que humanos precisam ser exterminados. Assim, na primeira oportunidade é o que eles fazem, tentam se defender, ou agir como foram “treinados” pelo humano.

Diante de situações como essas, ocasionadas pela ignorância, ou intencionalmente, quando acontece uma tragédia, dá pra chamar de ataque? Será mesmo que a culpa é do pitbull, do Hotweiller ou do Doberman? Será que faz diferença a raça? Já vi são bernardos e vira latas fazendo estragos, para se defenderem de maus tratos, ou por não terem sido socializados adequadamente. É claro que não tem a ver com a raça, e sim como o tratamento, ou cuidados, que receberam.

O que não consideram nessas situações é a vida que foi aprisionada, colocada sob a guarda de pessoas irresponsáveis. Então, não vai adiantar matar todos os pitbulls, enquanto os seres humanos não forem educados a respeitar os animais. Um cachorro é um ser consciente! Quando se rebelam, não são um produto com defeito a ser descartado, é um ser traumatizado que precisa de cuidados especiais.

E falando em descarte. Quando não são assassinados pelo humano que se sentiu lesado com a atitude do animal, eles são abandonados, jogados fora, “doados”, vendidos, e quase sempre, de um jeito ou de outro, vão parar nas mãos de protetores dos animais. Estes ficam com a difícil missão de sustentar um cachorro de grande porte, tentar minimizar os efeitos dos maus tratos, proporcionar uma vida digna a eles… e dificilmente consegue doar para alguma família. Porque na tevê já crucificaram o bicho, ninguém quer.

Mas, na outra ponta, os exploradores “criadores” de raças, na ganância, seguem fabricando mais e mais indivíduos, que são vendidos/descartados, sem castração, abandonados à própria sorte nessa sociedade que o acolhe e o dispensa sem qualquer pudor. Ou seja, cruzamos todas essas histórias e argumentos pra chegar a conclusão que no centro desse problema está o comércio de animais.

Enquanto houver pessoas explorando bichos pra fazer dinheiro, e gente tratando bicho como uma “coisa”, objeto de luxo/desejo, essas situações vão se repetir exaustivamente. Vidas humanas e caninas serão marcadas, encerradas, por vaidade, ganância, e pela ignorância das pessoas.

Qual a solução? Comece não comprando animais, comece a respeitá-los, e conclua castrando os seus animais. Se todos fizessem isso hoje, em pouco tempo, cada vez menos casos como esses aconteceriam. Pode não parecer tão simples, mas tem solução.

.

.

Fontes: 

G1 RS

Correio do Povo

Gaz

Anúncios