A polêmica: os animais como parte da família

Essa é uma questão polêmica, porque o simples fato de os animais serem considerados parte da família por algumas pessoas, leva outras a criticarem tal posicionamento. Isso por acreditarem que é uma “forçação de barra”, que há um exagero, uma tentativa de humanizar os bichos. Quem pensa dessa forma confunde o “tratamento adequado” e amoroso que alguns humanos têm com os seus animais de estimação, com uma equiparação entre humanos e animais, o que é uma bobagem.

Foto: Pan, da Sinara Foss

Foto: Pan, da Sinara Foss

Quem ama o seu bichinho de estimação e é próximo a ele, tende a querer o seu melhor. Afinal, quem ama cuida. Faz parte portando, dessa situação, os cuidados com a saúde e bem estar. O que todos mais queremos nessa vida é que os nossos pets vivam para sempre, ou pelo maior tempo possível, para que possamos usufruir da sua companhia por muito tempo.

Coincidência ou não, esse é o mesmo sentimento que temos por nossos entes queridos. Daí a “validade” de se dizer que um bicho é parte da família. O planejamento familiar, o carro, a casa, o pátio, os custos com saúde e alimentação, todos prevem a saúde e bem estar dos humanos e do ser de quatro patas que vive com a família. Então, não está errado afirmar que ele é, sim, membro da família.

Bom, esse foi um ponto, ou outro, que costuma irritar muito, principalmente quem atua na causa animal, é aquele argumento furado de que uma pessoa está gastando com um bicho o que poderia gastar com uma criança ou outro ser humano que esteja passando por necessidades. Bom, é verdade. Mas, quando se adota um animal de estimação estamos assumindo uma responsabilidade, que inclui os cuidados antes mencionados, que precisam entrar no plano da família.

Sendo assim, eu me pergunto, o que essas pessoas pretendem, que não se adotem mais animais de estimação para cuidar de pessoas necessitadas? Bom, cada um tem uma vida para cuidar, e isso inclui decidir o que quer para si. Adotar animais é tão especial. Eles melhoram a nossa qualidade de vida, alegram nossos dias, reúnem a família (muitas vezes), fazem companhia, dentre outras “vantagens”.

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Gorda, do Aubergue.

Na verdade, essa comparação é tão ridícula, que nem merecia tantos comentários, mas… Basicamente é isso. Ter animais é uma escolha que vem com responsabilidades que precisam ser cumpridas. E não dá pra confundir com “caridade”. Esse é um outro tema, e quem optar por fazer bem aos animais, não tem mais ou menos valor do que aquele que ajuda pessoas. Cada um deve lutar por aquilo que acredita. Se cada um fizer por alguma causa, todos, humanos e animais ficarão bem.

E, ainda, no caso dos animais de estimação, são o legado deixado por nossos antepassados que os domesticaram e os tornaram dependentes. Inclusive, isso significa que é nossa responsabilidade(sim)  cuidar deles. Não estou dizendo com isso que somos obrigados a adotar animais, e sim que, no momento que o adotamos, temos que saber de todas as suas necessidades e assumir essa responsabilidade.

É claro que existem, de fato, os exagerados, que não só exagera nos cuidados, mas inventa moda, tratando o animal de forma no mínimo curiosa, fazendo comida especial (caseira), roupas e cuidados desnecessários, festas de aniversário, arrumando namorados (essa sim desprezível). Mas, são alguns casos e, se não interferir no bem estar e na saúde do animal – não temos nada que ver com isso, certo?

 

Pets são como filhos

Foto- Renata EstevesEssa é uma brincadeira entre pessoas que gostam demais dos seus bichos que também sofre muito preconceito. Há casos de pessoas que se ofendem, sentindo-se comparadas negativamente com um animal, ou tendo as suas responsabilidades e papel social comparado com pessoas que “só tem animais” e acham que são mães ou pais. Primeiro, ser comparado a um animal é um elogio (na minha opinião quem sai perdendo é o bicho); segundo, as responsabilidades são semelhantes no que diz respeito ao cuidado, já provei isso lá no início do texto.

E, por fim… Amigos! É uma brincadeira, coisa de quem convive muito com animais, de uma maneira muito próxima, de pessoas que sentem amor pelos seus amigos animais. Porque se incomodar tanto com o amor que as pessoas sentem? Juro que não entendo, isso nunca fez mal a ninguém.

 

O cuidado com os animais precisa melhorar e muito

A realidade é que a maioria das pessoas, não todas, que vêm os animais como utensílios da casa, sem muita importância, são pessoas habituadas com a cultura antiga (e que está sendo ultrapassada, ainda bem) de que lugar de cachorro é na rua, que ele deve comer o que sobrar dos humanos e ser agradecido por ter um teto.

Quando na verdade a coisa não é bem assim. Hoje já se tem a consciência de que os animais (não só os de estimação) são seres vivos dotados de inteligência, que sentem e sofrem tanto quanto nós. Por isso, dar um teto e comida não é o bastante. Espaço para exercício, socializar com outras pessoas e animais, receber carinho, alimentação adequada e cuidados veterinários, tudo isso faz parte do pacote de responsabilidades.

Quem vive com os animais mais próximos de si, como quem vive em apartamento por exemplo (ou que dão livre acesso aos bichos no pátio e casa), tem uma noção bem mais clara disso tudo que estou comentando aqui. É natural e nem precisa ser discutido, porque é gostosa essa troca de cuidados, carinho e cumplicidade. Quem tem um bicho como parte da família não vê problema no dinheiro que gasta, e muitas vezes, se pudesse, daria muito mais. Porque não se mede esforços pela felicidade, saúde e bem estar de um amigo.

 

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